Afinal quanto vamos receber?

Dulce FilipeDulce Filipe
Janeiro 15, 2013
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Esta é a pergunta que todos andam a fazer. Estamos exatamente a meio do mês e muitos ainda se questionam sobre quanto vão passar a receber afinal.

As novas tabelas de retenção na fonte saíram finalmente ontem, e depois de muita especulação, com simuladores assustadores e geradores de muita incerteza, já é possível termos uma ideia aproximada de quanto vamos passar a levar para casa no final do mês.

Vamos fazer um verdadeiro exercício matemático. Começa por somar todas as parcelas: salário base e o excedente, caso seja necessário, do subsídio de alimentação cujo limite não tributável passa agora a ser de 4,27€, ou seja, um trabalhador que tenha um subsídio de alimentação no valor de 6.41€ terá que pagar impostos (irs e segurança social) sobre 2,14 €/dia.

A partir deste mês de janeiro será ainda acrescida uma sobretaxa de 3,5% às tradicionais taxas de retenção na fonte.

Confuso? Na prática as contas fazem-se da seguinte forma, e tomemos por exemplo um trabalhador solteiro, sem filhos no sector privado que ganhe 700 euros base e 6.41€ de subsídio de refeição, num mês com 22 dias úteis:

Aos 700 euros base deverá somar 47.08 do excedente do subsídio de alimentação, o que perfaz um total de 747.08.

A este valor deve retirar o valor correspondente à retenção na fonte, consultando as novas tabelas de retenção na fonte para 2013 referente ao seu caso específico, é de 8,5% (63,50€) [Caso o valor do subsídio de alimentação fosse igual ou inferior a 4,27€, ou o funcionário recebesse em tickets ou cartão de refeições, bastava apurar a taxa de retenção na fonte, que neste caso seria de 7,5%. ] e os 11% referentes aos descontos para a segurança social social ou Caixa Geral de Aposentações (82,18€) e ainda um valor equivalente ao salário mínimo (485 €). Ou seja, a conta deverá ser a seguinte:

700+47,08=747.08

747,08-63,50-82,18=601,4

601,4-485=116.4

Estes 116.4 sofrem então uma sobretaxa de 3.5%, o que corresponde a 4,07€, ou seja, aos 601,4€ será acrescida a sobretaxa de 4,07€, o que representa um salário líquido de 597,33€

Mas a este valor há ainda que somar 93,94 referente ao subsídio de alimentação, ou seja este trabalhador levaria para casa cerca de 691,27 €.

Caso o mesmo trabalhador recebesse o subsídio de almoço em senhas ou vales de refeição, a taxa de retenção na fonte como já dissemos, seria de 7,5% e apenas sobre o ordenado base ou seja 700-52,5= 647,5, valor ao qual falta ainda retirar os 77€ de segurança social, perfazendo 570,5€. A este valor voltamos a retirar o valor referente ao Ordenado Mínimo Nacional (485€) para apurarmos o valor a sofrer a sobretaxa de irs, ou seja a sobretaxa de 3,5% vai ser aplicada a 85,5€, o que representa 2,99€.

Ou seja, o mesmo trabalhador levaria para casa 567,51€. A este valor falta ainda acrescentar 93,94€ de subsídio de alimentação a 4,27€/dia, o que significaria que o trabalhador receberia 661, 45€ líquidos, ou os vales ou cartões de refeição, que têm vantagens fiscais quer para a empresa quer para o trabalhador, a começar pelo limite para tributação que é de 6,83€ . Assim, no nosso caso anterior, o trabalhador poderia somar aos 597,33€, 150,26€ em vales o cartão de refeições, o que perfaz um total de 747, 59.

A grande vantagem destes cartões é que além de serem utilizados para o fim a que se destinam, a alimentação, o saldo acumula de mês para mês, não sendo obrigatório esgotá-lo mensalmente.

Alguns dos cartões de refeição são:

-Cartão Millennium bcp free / refeição;
-Cartão à la Card do BES;
-Cartão PayRest do BANIF;
-Cartão Ticket Restaurant;
-Dá refeição do Continente.

Agora basta aplicares os cálculos aos teus valores.

Quanto à questão dos famosos duodécimos, o valor ainda não foi aprovado e como tal só poderá ser aplicado em fevereiro, mas em princípio deverá ser da seguinte forma: os 567,51€, ou seja o valor líquido referente aos 700€ mensais após os descontos de irs, segurança social e sobretaxa de irs, é dividido por 12 meses. 47,27€ é o valor que este trabalhador poderá acrescentar caso assim o entenda, ao valor que recebe mensalmente, e referente, nos primeiros 6 meses do ano a 50% do subsídio de férias, e nos últimos 6 meses do ano, referentes a 50% do subsídio de Natal. Nos meses em que costuma receber estes subsídios o trabalhador levará para casa 283,75€.

Fonte: Universia Portugal

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